segunda-feira, 22 de abril de 2013

Bailarina de negro


Afinal de contas, o que é a morte ? A única verdade que podemos afirmar com plena certeza é que ela existe, porém não temos uma definição exata sobre o que ela é. Qual seria a melhor definição sobre a morte ? Um Deus, uma natureza, uma outra vida, um repouso absoluto...ou quem sabe até mesmo a sinfonia noturna nº 2 de Chopin, com toda sua perfeição percorrendo por tudo e todos flutuando sobre os justos e injustos, sem nenhuma regra estabelecida em relação moral, social, ética ou espiritual. Em termos deveríamos apreciar sua tamanha perfeição e exatidão no seu único objetivo. Sem nenhuma piedade com as família, amigos e amores de seus alvos, a morte passa por tudo que é vivo, como fosse uma guerra entre o vivo e o não vivo.

Cá imagino uma bailarina jovem  cabisbaixa com seu indefectível vestido de bailar desfilando aprazivelmente como uma serpente faminta a procura de sua preza. Uma bailarina que ao primeiro(a) que cruza-lá um olhar, não terá nenhuma reação a tamanha perfeição sobre algo jamais visto, a não ser por esticar suas mãos e dançar a mais doce valsa da morte. Uma valsa onde nenhum ser humano foi capaz de ensinar e até mesmo entender seus complexos passos, uma valsa constituída de lágrimas, sentimentos, alívio, sofrimento e uma alma. Uma valsa que por mais complexa que pareça, nenhum ser vivo errou um passo se quer a partir do momento em que está a bailar com a jovem bailarina de negro. Onde algumas vezes, a melancólica bailarina abusando de seu talento, faz toda questão de criar uma dança em grupos, variando seus participantes de cem, mil e até mesmo milhares de pessoas bailando no mesmo passo numa única sincronização apenas.

Uma das verdadeiras maravilhas do mundo, tão perfeita, tão exata, tão... temida. Onde executa seu ideal com toda plena harmonia e calma deixando propositalmente seu leve perfume aromatizado de saudades e sofrimento. Afinal de contas, me pergunto novamente uma pergunta da qual temos a resposta de sua existência mas não de sua finalidade. Devemos estender os braços como toda nossa geração passada fez instintamente, ou devemos tentar encontrar uma outra forma de dançar? através da religião, do bem, do ápice de todo nosso processamento de informação ou de pseudos filosofias sobre como prever seus passos. O que é a morte ?

De tudo isso não questiono absolutamente nada, apenas reflito e espero pela hora da minha valsa com a mais doce bailarina que com o passar do tempo, sopra em meus ouvidos um doce aviso que a hora está para chegar, num momento qualquer, porém perfeito para fechar meus olhos e entrar na mais linda viagem sem volta jamais historiada ou manuscrita por alguém. Claro, ao som de "Nocturne nº 19 Op 72 em E menor"...

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